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Pintei uma rosa de negro
E negro o meu coração ficou
Tentei mudar a sua cor
Mas a rosa não gostou
E soltando um longo suspiro
A triste rosa murchou
Das pétalas saíram gotas
De um vermelho rubro ardente
Juntei-as a todas num cálice
E dele, bebi lentamente…
anacosta

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A cada segundo que passa
Morre um homem na cidade.

A cada segundo que passa 
Nascem crianças sorrindo.

A cada segundo que passa
Mil vagabundos deitados no chão.

Mendigos com fome estendem a mão,
Vícios, luxuria, desespero, desgraça,
Fêmeas sozinhas em seu leito parindo, 
A cada segundo que passa

anacosta

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Vento do norte

O meu nome escrevi na areia 
 Veio o vento do norte 
Bateu forte e o levou 
Voltei a escrevê-lo no mar 
Vieram ondas, tempestades 
Vieram monções, furacões 
Veio a sereia e docemente o levou 
Levou-o para o fundo do mar. 
Escrevi-o de novo 
 Em cada estrela cadente 
Que no céu eu vi passar 
Escrevi-o na terra, na água e no ar 
Mas foi em vão nada adiantou 
Porque veio de novo a sereia 
E para sempre o levou 
Levou-o para o fundo do mar 
anacosta


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Tempestade

Bom dia meus queridos amigos, amigas, gente linda que me segue.
 Aqui estou deixando mais um poeminha e o meu beijo para todos! 



Numa viela escura e lamacenta 
Abrem - se os céus e rebenta a tempestade. 
Ouve - se o gritar do vento, como um lamento, 
Enquanto ao longe por entre o rugido 
Do ribombar dos trovões 
A fúria da tempestade aumenta. 
E numa esquina da viela lamacenta, 
Chora de frio uma mulher quase nua. 
Rasgou - lhe a miséria seus vestidos, 
Gritam seus olhos a fome, 
Que assola e devasta seus sentidos. 
Pobre mulher quase nua... 
Treme seu corpo de frio. 
Com um olhar de quase louca, 
Olha ao redor em desvario, 
Porque alguém a jogou na rua. 
Pobre mulher quase nua... 
Porque não tinhas como pagar, 
Trapo velho, folha sem vida, 
Alguém te jogou na rua... 
anacosta